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02/01/2017 - 14:30
Fernandes realizou sonho de se tornar empreendedor: R$ 34 mi foram oferecidos a ex-detentos pelo programa CredCidadão, do governo do Estado.

O programa CredCidadão, do governo do Estado - que abre linha de crédito para microeempreendedores e passou a atender egressos da Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado (Susipe) desde junho deste ano - fechou o ano com um balanço de R$ 34 mil já disponibilizados para os ex-detentos. Os recursos foram investidos em pelo menos oito tipos de empreendimentos.

O CredCidadão estabelece linhas de microcrédito com baixo custo para quem tem pouco ou nenhum recurso para investir. Foi o caso de João Paulo Pimentel, de 33 anos. Ele passou mais de 10 anos no cárcere. Quando saiu, encontrou algumas dificuldades até conseguir abrir o próprio negócio. “Logo que saí do presídio comecei a vender cosméticos. Mas ainda era algo muito pequeno para sustentar, minha esposa, minhas 2 filhas e eu. Eu vivia agoniado e cheio de dívidas. Até as parcelas da minha casa atrasaram e eu fiquei com muito medo de perder a minha morada. Foi quando um amigo me falou sobre o Credcidadão e eu fui atrás”, conta João Paulo.

Fôlego - Para ele, o programa possibilitou uma mudança de vida e ainda permitiu que ele ajudasse outras pessoas. “O pouco que eu tinha, hoje se transformou em muito pra mim. Com o dinheiro, eu consegui abrir um mercadinho. Agora eu consigo pagar minhas contas e ainda sobra. Nesse final de ano, por exemplo, eu fiz uma ceia na minha casa e fiz outra no meio da rua, para quem quisesse participar. Não cobrei nada de ninguém. Era só uma forma de ajudar, pois eu sei que aqui no meu bairro tem muita gente que não tem condições. Eu também doei brinquedos e lanches para crianças carentes e fiz uma ceia para moradores de rua. O pouco que eu tenho, eu consigo ajudar as pessoas”.

Ter o próprio negócio é o sonho da grande maioria dos brasileiros. De acordo com uma pesquisa feita pela Amway Global Entrepreneurship Report, com 50 mil entrevistados em 48 países, 82% desejavam empreender um dia e 66% se consideram aptos para o desafio.  No resto do mundo esses percentuais são bem menores: 56% e 46%, respectivamente.

Para Celso Fernandes, de 42 anos, o sonho de se tornar empreendedor começou ainda no presídio, em 2008. “Quando eu saí, em 2012, já tinha tudo planejado, como eu ia fazer. Os dois primeiros anos foram muito difíceis. Eu queria montar um lava jato e comecei com apenas uma mangueira, lavando carros na frente da minha casa. Passei por muitas dificuldades, mas consegui o que eu tenho hoje”.

Celso disse que descobriu o crédito do Credcidadão por acaso, através de um funcionário do sistema penitenciário. Hoje agradece à Susipe por ter tido essa oportunidade. “Eu nunca imaginava chegar até onde cheguei. Descobri a linha de crédito em uma das vezes que fui à Susipe e uma pessoa me orientou".

Celso já tinha planos de começar seu negócio dentro da igreja onde trabalhava. Lá havia quatro terrenos e o cederam um para iniciar o lava-jato. Com o crédito, comprou os materiais necessários. "Posso dizer que isso tudo foi uma renovação na minha vida. Assim como me ajudaram, agora ajudo outras pessoas". Com Celso, 18 egressos já vêm trabalhando. "Tenho certeza que todos também têm chance de crescer na vida”.  

Oportunidades - De acordo com a diretora do CredCidadão, Tetê Santos, dar acesso a pessoas em situação de risco é um trabalho de resgate social. “É muito importante que os egressos também tenham acesso ao crédito. Essa é uma oportunidade de retomar a vida através de um negócio próprio, fazendo com que eles se integrem à família novamente e também gerem renda, melhorando a suas condições financeiras".

Avaliando como muito boa a parceria entre o Credcidadão e a Susipe, a diretora do CredCidadão quer estender o programa a outros municípios”. Para a responsável pela Coordenação de Assistência ao Egresso e Família (CAEF) da Susipe, Neide Azevedo, que faz o cadastro dos internos e famílias para os programas de apoio ao egresso, o crédito possibilita uma grande mudança de vida. “É uma transformação de vida. A saída do cárcere esbarra em vários tipos de preconceitos, e é muito difícil conseguir um emprego. Com esse crédito, eles se tornam donos do próprio negócio. Isso melhora até a autoestima dessas pessoas".

Por Timoteo Lopes