Sobre acessibilidade

Serviços

Notícias Mais Notícias

05/06/2018 - 11:30
A Semana do Encarcerado 2018 foi aberta oficialmente nesta segunda-feira (4), no auditório da Universidade da Amazônia (Unama), campus Alcindo Cacela, em Belém.

A Semana do Encarcerado 2018 foi aberta oficialmente nesta segunda-feira (4), no auditório da Universidade da Amazônia (Unama), campus Alcindo Cacela, em Belém. O evento é realizado pela Arquidiocese de Belém, por meio da Pastoral Carcerária, e conta com  a parceria da Superintendência do Sistema Penitenciário do Pará (Susipe), Prefeitura Municipal de Ananindeua, Defensoria Pública do Estado (DPE), Unama, Universidade Federal do Pará (UFPA) e Tribunal de Justiça do Estado (TJPA). O tema neste ano é “Por uma vida sem grades. Por grades menos desumanas”.

A abertura, no auditório David Mufarrej, teve a participação do bispo auxiliar da Arquidiocese de Belém, Dom Antônio de Assis Ribeiro; do juiz titular da 4ª Vara do Tribunal do Júri, Cláudio Rendeiro; Ivaldo Capeloni, diretor de Reinserção Social da Susipe; da vice-reitora da Universidade da Amazônia, Betânia Fidalgo, e do coordenador da Pastoral Carcerária, diácono Ademir da Silva.

O evento prossegue até a próxima sexta-feira (8). Da programação constam palestras, visitas a unidades prisionais, ações de cidadania para os internos e a celebração de uma missa na Basílica Santuário de Nazaré.

Reflexão - Dom Antônio de Assis Ribeiro falou sobre as ações da Arquidiocese de Belém dentro dos presídios, ressaltando a importância do debate desse tema para a sociedade, organizações e universidades. “Estamos aqui hoje para promover um processo de reflexão e tentar estimular a sociedade a pensar criticamente sobre a importância do quadro que temos hoje no sistema penal, e na qualidade de vida da pessoa presa. O encarcerado é um reflexo da sociedade em que vivemos, que apresenta um perfil elevado de pobreza, desigualdade social, violência e corrupção, espelhando as nossas limitações em termos de cultura e educação. Não basta pensar no preso como um sujeito que está pagando por um crime que cometeu, mas no quanto a sociedade tem sua participação e contribuição para que aquele indivíduo chegue até ali”, reiterou o bispo auxiliar.

Na abertura da Semana do Encarcerado 2018 também foi debatida a importância em se promover a cultura de paz e a humanização dentro dos presídios. A superpopulação carcerária, hoje um dos maiores desafios do sistema penitenciário brasileiro, foi outro tema abordado no encontro, que também contou com a participação de alunos do curso de Direito da Unama.

Betânia Fidalgo destacou a importância do trabalho conjunto entre os órgãos ligados ao sistema penal. "O trabalho que a Pastoral Carcerária, Ministério Público e Susipe realizam, promovendo ações sociais, de cidadania e políticas públicas efetivas para os encarcerados, é de fundamental importância para que possamos modificar o trato penal e a forma como a sociedade enxerga o preso", frisou a vice-reitora. 

Relevância - Para o juiz Cláudio Rendeiro, a iniciativa da Pastoral Carcerária em debater temas tão recorrentes aos direitos humanos e garantias da pessoa presa é de extrema relevância. “A Pastoral é um braço da sociedade, com um olhar voltado para a atenção aos encarcerados. Proporcionar esses debates e temas, com o objetivo de resgatar a autoestima da população carcerária, lutando pelos seus direitos e propondo a sociedade uma participação nesse processo, é mais que necessário. A Justiça tem contribuído com isso através do Projeto Começar de Novo, do CNJ (Conselho Nacional de Justiça). Mas é preciso, ainda, discutirmos o cumprimento de diretrizes e tratados nacionais e internacionais, para que se possam garantir os devidos direitos às pessoas privadas de liberdade”, enfatizou o juiz.

O diretor da Susipe, Ivaldo Capeloni, destacou que o evento é mais uma oportunidade de mostrar para a sociedade o trabalho que o Estado vem desenvolvendo na melhoria das condições de custódia e ressocialização de presos.

“Nós, enquanto Estado, estamos fazendo a nossa parte, construindo novas unidades, reformando as unidades que estão deterioradas, para que possamos ter um ambiente mais humano dentro dos centros de detenção, para que possam garantir uma custódia mais digna aos detentos. A superlotação carcerária é hoje um dos maiores desafios no Brasil. Estamos intensificando as ações de reinserção social, nas quais a própria Pastoral Carcerária é nossa parceira, além de apoiarmos o trabalho de grupos religiosos como um todo, para que as pessoas que estão sob a nossa custódia passem por um tratamento penal mais humano”, disse Ivaldo Capeloni.

A abertura da Semana do Encarcerado 2018 contou ainda com a apresentação do Coral Timbres, da Susipe, formado por detentas  do Centro de Recuperação Feminino de Ananindeua e internos do Centro de Recuperação do Coqueiro.

Na terça-feira (5), também na Unama, haverá debate sobre "Monitoramento Eletrônico: normatização, desafios e contribuição para o desencarceramento". A entrada é franca.

Por Timoteo Lopes